A volta do Irritator

Sim, enfim vamos falar de dinossauros!

Bom dia! Aqui é a Chloé Pinheiro, muito animada com a oportunidade de escrever de novo sobre um assunto que eu adoro: dinossauros e o roubo de fósseis por países ricos. E a notícia é boa! Tem também atualizações sobre o hantavírus e as celebrações pelo centésimo aniversário do naturalista britânico David Attenborough. Na nota do convidado, resultados de uma pesquisa sobre uso de IA entre médicos. Bora!

Irritator challengeri
Um dinossauro levado ilegalmente para a Alemanha há 35 anos será devolvido para o Brasil. O Irritator challengeri tinha mais de 6 metros e é importante pra ciência porque é um espinossauro, um tipo raro de encontrar, que tem uma espécie de crista nas costas – é uma figura clássica quando a gente pensa em dinos. Ele viveu há cerca de 110 milhões de anos na chapada do Araripe, no Ceará, mas foi "descoberto" por alemães, que ficaram irritados porque o crânio havia sido adulterado com gesso pelos vendedores, daí esse nome tão peculiar... Conto a história aqui.

#BelongsToBR
Desde 2023, paleontólogos e interessados na temática encabeçam um movimento para repatriar o Irritator. Foi nesse mesmo ano que o fóssil do dinossauro Ubirajara jubatus voltou ao Brasil, em um contexto similar ao do Irritator. A data do retorno ainda precisa ser definida, mas a Sociedade Brasileira de Paleontologia e a paleontóloga Aline Ghilardi, uma das líderes da mobilização, comemoraram a decisão. E foram feitas críticas à linguagem do comunicado dos alemães e o que ela revela sobre o colonialismo científico.

David Attenborough
O britânico que redefiniu o conceito de documentários sobre a natureza celebrou 100 anos de vida – sim, ele ainda está vivão e vivendo – no último dia 8, com direito a honrarias reais. Em sete décadas de carreira, ele participou de mais de 100 produções para a televisão. Esse editorial da Nature contando um pouco da história dele tá lindão. Sua trajetória não influenciou apenas a divulgação científica, mas a própria pesquisa. Mais de 50 espécies de plantas e animais foram batizadas em sua homenagem. Em homenagem ao seu centenário, uma nova vespa recebeu o nome de Attenboroughnculus tau.

Hantavírus
A notícia de um surto de hantavírus em um navio de cruzeiro pode ter causado um certo frio na espinha dos sobreviventes da pandemia, mas calma, gente. O vírus já circula no Brasil e em outros países há muito tempo e seu potencial de disseminação é baixo. Mas claro que a gente – como se não tivesse aprendido nada nos últimos seis anos – teve que testemunhar a grande imprensa fazendo clickbait sobre o assunto.

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NOTA DO CONVIDADO ✷

IA na medicina: aliada, mas sob vigilância constante

Por Eduardo Moura, médico e diretor do Research & Innovantion Center da Afya.

A inteligência artificial já é realidade para 78% dos médicos brasileiros, aponta a pesquisa "Panorama do uso de IA em saúde", realizada por Afya e Conexa entre o fim de 2025 e o início de 2026. O dado revela uma adoção massiva, mas o julgamento humano permanece inegociável.

Prova disso é que 63% dos profissionais já corrigiram erros gerados por algoritmos antes de aplicá-los clinicamente. Médicos mais familiarizados com a tecnologia são os que mais detectam falhas, indicando um uso mais crítico e seguro.

A ferramenta tem sido usada principalmente como suporte à decisão: 74% pesquisam interações medicamentosas e 66% tiram dúvidas clínicas via IA. No campo administrativo, a expectativa é que a tecnologia reduza a burocracia, com 34% dos médicos utilizando-a para relatórios.

Entre os pacientes que utilizam IA, a ferramenta é empregada principalmente como fonte de apoio informacional: 66% a usam para entender sintomas, mas sem substituir a confiança no profissional. O futuro desenhado não é de substituição, mas de simbiose tecnológica.


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