Bom dia! Aqui é a Meghie Rodrigues e hoje trago novas sobre autismo, canetas emagrecedoras e grandes cientistas recebendo (merecido) reconhecimento. Na nota do convidado, o astrofísico Ricardo Ogando fala sobre a importância da missão Artemis 2.
Você recebeu o Polígono excepcionalmente na quarta nesta semana por conta do feriado de terça, Dia de Tiradentes. Boa leitura e bom feriado!
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Autismo no Brasil
Saiu o Mapa Autismo Brasil, o primeiro levantamento sociodemográfico sobre autismo no Brasil, feito pelo Instituto Autismos. Segundo o IBGE, o Brasil tem 2,4 milhões de pessoas com transtorno autista. O Mapa traz informações mais detalhadas sobre esse universo, e mostra que ainda temos muito a avançar: por exemplo, quase seis em cada dez pessoas autistas fazem até duas horas de terapia ABA (Análise do Comportamento Aplicada), o que é pouco (o estudo mais conhecido sobre o assunto fala em 40 horas semanais — algo que é bastante debatido). Fato é que ainda estamos engatinhando em termos de cuidados e políticas públicas para esta população (que não é pequena).
Tudo culpa da genética
Já usou Mounjaro e ele não funcionou pra você? Ou sentiu náusea, constipação e outros efeitos colaterais? O remédio não foi com a cara da sua genética. Segundo um estudo que saiu na Nature, o problema está em variações nos genes GLP1R e GIPR. Eles são os receptores-alvo da GLP-1 (principal substância do Mounjaro) e regulam as respostas ao emagrecimento e efeitos colaterais. Aliás, outro ponto aqui: o uso desse tipo de substância está tão disseminado que o New York Times está chamando isso de “grande experimento”. Tem até gente tomando Ozempic para ajudar com artrite e enxaqueca. Maluco, né?
Entre os maiores
Semana passada tivemos dois brasileiros na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time. Luciano Moreira, da Fiocruz, desenvolve mosquitos da dengue estéreis e figura na lista de “Inovadores". Mariângela Hungria, da Embrapa, está na lista de "Pioneiros” e trabalha com microbiologia do solo para diminuir a dependência de fertilizantes químicos na agricultura. Ambos trabalham em empresas públicas de pesquisa. Em entrevista à CBN, Mariângela disse que “no Brasil, a gente não faz ciência, faz milagre". Imagina o que daria pra fazer se tivesse dinheiro e valorização da ciência por aqui, né?
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NOTA DO CONVIDADO ✷
Um pequeno passo rumo à Lua
Por Ricardo Ogando, astrofísico no Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer
A missão Artemis 2 partiu no dia 1º de abril rumo à Lua. O lançamento no dia da mentira soa como uma afronta ao negacionismo que cerca as missões lunares. Entretanto, foi apenas uma coincidência, após uma série de atrasos. Claro que não faltaram piadas e “fake news” nas redes, abordadas no Polígono de 14.abr.26. Mas, na Terra, o efeito principal da missão foi de encantamento. A missão foi compartilhada por canais de TV e na internet com milhões de espectadores.
Cerca de 10 dias depois, a nave Orion “pousou” no Oceano Pacífico, completando a missão com sucesso. Deram uma voltinha na Lua, indo mais longe do que qualquer humano já foi, e voltaram com segurança, testando uma série de novos equipamentos para explorar o espaço profundo.
Astronomicamente falando, os resultados são parcos, ainda que interessantes. Por exemplo, os astronautas viram o brilho dos impactos de meteoroides na superfície da Lua. Do ponto de vista biológico, o impacto da viagem nos astronautas e nos órgãos-em-um-chip, que os emulam, pode nos contar mais sobre os efeitos da vida no espaço. Algo fundamental para quem quer ocupar a Lua em definitivo.