Notícias do espaço

Mas acalmem-se, ainda não descobrimos um planeta habitável

Alô, aqui é a Chloé Pinheiro, do Calma, Gente, com novidades sobre a "volta" do homem à Lua e sobre uma descoberta no espaço. Também tem tudo que você precisa saber sobre o Nipah vírus (nossa nota do convidado fala disso), a gripe K e aquelas curiosidades científicas que a gente ama. Pode entrar, polígoner!

Novo planeta
O termo "Nasa novo planeta" ficou em alta no Google nessa semana. O motivo? Vários portais anunciaram a descoberta de um planeta que seria habitável, e ele até ganhou o apelido de "Terra congelada". Mas... Não é bem assim (ainda). A gente nem se sabe com certeza se é mesmo um planeta. A Ana Apleiade e a Aline Novais explicaram tudo bonitinho nesse vídeo aqui.

Preparem-se
Outra manchete que bombou nos mesmos dias dizia que a Nasa estava pedindo para o mundo "se preparar" para o dia 06/02. Aí você junta as duas coisas e pensa: pronto, estamos cada vez mais perto de encontrar ETs para nossa alegria. Na verdade, a agência espacial norte-americana havia anunciado que poderia iniciar a missão Artemis II na sexta-feira, mas a data já não é mais viável. A missão vai começar com uma volta na Lua, como primeira parte de um plano maior de retornar de vez ao asteroide.

Nipah
O pessoal se assustou com casos de Nipah vírus na Índia. A gente super entende o gatilho pandêmico, mas há vários pontos para nos "tranquilizar". Sim, trata-se de um vírus de alta letalidade, que até pode ser transmitido de pessoa para pessoa, só que isso não acontece tão fácil quanto com a covid. O Nipah merece atenção, claro, mas não é novo: circula há quase 30 anos em regiões específicas da Ásia, não parece ter mudado de comportamento e os países têm protocolos de monitoramento que estão funcionando. O Átila falou sobre o assunto aqui.

Gripe K
Ainda na editoria vírus, mais casos de gripe K foram confirmados no Brasil, em Santa Catarina. Trata-se de um subclado do influenza A (H3N2), que causa uma gripe bem parecida com a que conhecemos, e não há registro de que ele seja mais agressivo. E as vacinas atualmente em circulação também oferecem proteção contra ele.

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NOTA DO CONVIDADO ✷

De olho no Nipah

Por Paulo Eduardo Brandão, veterinário, com doutorado em Epidemiologia Experimental Aplicada Às Zoonoses e professor da Universidade de São Paulo (USP)

Tendo inicialmente surgido de morcegos frugívoros na Ásia, o vírus Nipah voltou a ser tema de preocupação em função de dois casos em pessoas na Índia neste ano, após surtos anteriores na própria Índia, em Bangladesh e na Malásia, onde foi descrito pela primeira vez em 1998. A preocupação surge por ser uma doença transmitida de outros animais a seres humanos, para a qual não temos ainda vacinas ou tratamentos.

O Nipah tem características comuns a vírus com potencial pandêmico, como ser envelopado (e, portando, precisa ser transmitido por contágio direto), ter RNA no seu genoma (o que o faz mudar muito rápido) e usar várias espécies como hospedeiros (o que dá a ele mais chance de sobreviver).

Os morcegos em questão, chamados de raposas voadoras, eliminam o Nipah pela saliva, fezes e urina e contaminam frutas que acabam caindo ao chão e são comidas por porcos que, por sua vez, passam a doença as pessoas, além da transmissão a pessoas via seiva de plantas contaminadas. Vale dizer que estes morcegos não existem nas Américas.

A doença se manifesta como uma encefalite, uma inflamação cerebral, que pode ser letal. Mas o Nipah não se transmite bem entre pessoas e é por isso que ele ainda não levou a uma nova pandemia. Que queremos que ele continue assim. Quanto mais ágeis formos em detectar e isolar os casos, menos damos chances para que ele evolua e se torne um vírus puramente de humanos, como aconteceu com o SARS-CoV-2.


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