Bom dia! Aqui é a Chloé Pinheiro. Hoje vamos falar sobre os vírus furtados da Unicamp, uma suposta epidemia de micropênis em crianças e uma notícia legal da ciência. Na nota do convidado, o médico Cadu Viterbo fala sobre a criação da Associação Brasileira de Divulgadores Científicos (ABDC). Boa leitura!
Caso de polícia
Na segunda passada, uma cientista foi presa (e depois liberada) por suspeita de furtar amostras de vírus de um laboratório da Unicamp. O G1 apurou que, entre os patógenos, estavam diferentes tipos de influenza, o vírus causador da gripe. Ainda não se sabe a motivação para o furto, mas não parece haver risco para a população, pois as amostras foram encontradas na própria universidade. A Sociedade Brasileira de Virologia emitiu uma nota reforçando que o caso reforça que os mecanismos robustos de biossegurança estão funcionando bem. Aguardamos mais desdobramentos!
Caneta que detecta câncer
A química Lívia Eberlin foi destaque no Fantástico do último domingo por suas pesquisas com uma caneta feita em impressora 3D que detecta células cancerígenas na mesa de cirurgia, para ajudar a melhorar a precisão das operações de retirada de tumores. O dispositivo foi desenvolvido nos Estados Unidos, onde a pesquisadora atua, mas já está sendo testado no Brasil, no Hospital Albert Einstein. E olha que curioso: ela já foi parar até em um episódio de Grey's Anatomy. Chique!
Epidemia de micropênis
Diversas sociedades médicas lançaram uma nota em conjunto contra uma falsa epidemia de micropênis em crianças, boato que ronda a internet. Em vídeos que viralizam nas redes, médicos afirmam que os meninos hoje em dia não estão se desenvolvendo adequadamente, ensinam a medir o tamanho do órgão e dão a solução: fazer reposição de testosterona. Só que não há nenhum registro de aumento de casos e não se deve fazer esse diagnóstico com base em medições caseiras. Ah, e a testosterona sem indicação pode ser bem perigosa, ainda mais em crianças. Pelo amor de deus, gente!
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NOTA DO CONVIDADO ✷
Uma associação contra a desinformação
Por Cadu Viterbo, médico ortopedista, presidente da Associação Brasileira de Divulgadores Científicos (ABCD).
Recentemente, anunciamos ao mundo a criação da Associação Brasileira de Divulgadores Científicos (ABDC), uma entidade civil sem fins lucrativos, que une profissionais de diversas áreas que produzem conteúdo sobre saúde na internet. A ABDC surge num contexto de aumento da animosidade no combate à desinformação em saúde na internet.
Notamos não só o aumento dos conteúdos falsos, mas uma dificuldade em realizar esse combate de forma individual, com a extensão judicialização e casos de processos contra os perfis que desmentem informações falsas. Assim, era hora de tornar essa luta mais coletiva.
Reunimos criadores, médicos, professores universitários, biólogos, nutricionistas, educadores físicos e outras disciplinas na associação. A ideia é criar um grupo coeso, que possa transmitir à sociedade informação baseada no conhecimento científico vigente.
Estamos funcionando há um ano nos bastidores e, nesse período, criamos ações conjuntas contra a desinformação, como uma guerrilha, e deu muito certo. Nos reunimos para desmentir juntos notícias em alta, organizamos os conteúdos que serão produzidos. Com a ajuda de várias pessoas, conseguimos passar uma mensagem para a população que não seja isolada, e que não dê a impressão que notícias de saúde têm dois lados.
Queremos mostrar que a boa ciência pode estar na rede, e não somente o sensacionalismo. Já estamos recebendo novos associados, e o intuito da associação também é ajudar também pequenos divulgadores a crescer, fazendo conteúdos em collab e oferecendo a possibilidade de trocar ideias e aprender com perfis gigantes da internet, já consolidados.
Por fim, também temos uma função muito importante que é uma assessoria jurídica assessível, uma forma de nos defender contra os desinformadores que recorrem à justiça quando são confrontados. Saiba mais no nosso site.